De provável origem francesa (parece derivar dum cruzamento entre Mondeuse Blanc x Dureza), é cultivada
com sucesso em muitas áreas vitícolas de França (Ródano e zonas limítrofes), Espanha, Grécia,
Itália, Portugal e nas áreas mais quentes do Novo Mundo (Austrália, Califórnia, Argentina, África do Sul).
Caraterísticas ampelográficas: a cepa apresenta vários biótipos, de médios a muito produtivos
que originam vinhos de diferente nível qualitativo. Pâmpano de ápice médio ou globoso, cotanilhoso
de cor branca esverdeada com margens avermelhadas. Folha de cinco lóbulos, média-grande com
seio peciolar com base em U ou lira fechada com margens ligeiramente superpostas. Margem lisa
ou ligeiramente ondulada, página inferior ligeiramente rica de pêlos curtos. Cacho médio, alongado,
cilíndrico, por vezes alado, compacto ou semi-solto, dependendo do clone. Bago médio de forma
oval e película muito com muita pruína e polpa de sabor doce e saborosa.
Aspetos de cultivo: cepa de bom vigor e porte expandido, sarmentos longos e frágeis e, portanto,
sensíveis aos ventos primaverais. Adapta-se bem a ambientes quentes e luminosos, secos, mas
não aos que provoquem a exposição a stress hídrico.
Formação e poda: prefere formação relativamente expandida e poda longa. Nas zonas mais quentes,
pode ser conveniente a poda esporonada. Nos climas menos quentes ou ventosos, é indispensável
atar os sarmentos e utilizar podas verdes fortes.
Época de abrolhamento: média-tardia.
Época de maturação: média.
Produção: boa e constante, para alguns clones é elevada, embora nestes casos o nível qualitativo
seja insatisfatório.
Sensibilidade às doenças e adversidades: sensível à botrytis, sobretudo em maturação plena e aos
ácaros. Boa resistência aos frios invernais e as geadas outonais. Sensível à clorose. A sua compatibilidade
de enxerto com 140Ru é escassa. Encontra-se afetada por uma manifestação patológica
designada "Syrah decline", cujos sintomas podem ser observados em todos os clones franceses a
partir do 5º ou 6º ano. Na actualidade, recomenda-se não utilizar os clones franceses mais sensíveis
como o 99, 73, 381, 383, 301, 382 e 585. O clone ISV-R1 não parece afetado por este síndrome.
Potencial enológico: dá origem a vinhos de cor vermelha rubi, com tendência a púrpura, de boa
estrutura, alcoólicos, muito aromáticos, finos, complexos e tânicos. Permite elaborar vinhos particularmente
frutados e interessantes para a mistura com outros vinhos menos aromáticos.
Clones em multiplicação: Syrah ISV-R1; clones franceses: Inra-Entav 100, 174, 300, 382, 470, 471,
524, 525, 585, 747, 877.
Clones de próxima apresentação para homologação: Syrah VCR 115, VCR 116, VCR 117, VCR 157,
VCR 158, VCR 246, VCR 261, VCR 440, VCR 441.